Idesp ‘reprova’ 92% das escolas da antiga 8ª série

Maria Stella Calças - Diário da Região

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Carlos Chimba

Escola Bady Bassitt ficou abaixo da meta para o 9º ano (conseguiu atingir 15% do estipulado)

Noventa e dois por cento das escolas estaduais de 9º ano do ensino fundamental (antiga 8ª série) de Rio Preto “bombaram” na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) 2010 - indicador desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação para avaliar a qualidade do ensino estadual. De acordo com os dados divulgados ontem, apenas duas das 26 escolas com turmas do ensino fundamental atingiram a meta (que é estipulada para cada unidade individualmente).

O desempenho das escolas de ensino médio de Rio Preto também foi baixo: mais da metade (15 das 24 instituições) ficaram abaixo da meta. O Idesp é calculado a partir do desempenho dos alunos no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e da taxa de aprovação média em cada ciclo de estudo. O Saresp é realizado anualmente pelos alunos das séries finais (4ª, 9ª e 3ª), que respondem a questões de português e matemática.

O índice foi desenvolvido para fornecer um diagnóstico das escolas. A partir do resultado obtido por instituição, a secretaria traça uma meta para ser cumprida no próximo ano. O governo do Estado estabeleceu como índice ideal a ser alcançado até 2030 o Idesp de 5 para o ensino médio, 6 para o ciclo de 5ª a 9ª série e 7 para o ciclo de 1ª a 4ª, médias que refletem o aprendizado encontrado em países desenvolvidos.

“Essas metas são estipuladas com participação das escolas, então 100% das turmas deveriam atingir a meta. O Estado de São Paulo deveria estar dando exemplo de melhoria na educação e, na verdade, está fazendo o contrário”, diz César Callegari, sociólogo, especialista em educação e membro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.

Segundo o especialista, o baixo desempenho é consequência da “implantação equivocada” da progressão continuada. “A progressão continuada virou aprovação automática e não era essa a proposta. Isso criou um sistema de descompromisso tanto por parte dos alunos quanto por parte das escolas”, afirma.

Funcionários da escola estadual Deputado Bady Bassitt também concordam. “Os alunos são desinteressados. Eles são fruto da progressão continuada, que foi entendida de forma errada no Estado. Eles são desinteressados. Ficamos muito triste porque nos esforçamos e lutamos muito. Fizemos cursos e tentamos incentivar os alunos”, diz um funcionário que pediu para não ser identificado.

A escola Bady Bassitt ficou abaixo da meta para o 9º ano (conseguiu atingir 15% do estipulado), mas ultrapassou as expectativas e completaram 120% da meta na avaliação do 3º ano. “A alta rotatividade de professores e a falta de valorização da escola pela família também contribuíram para esse baixo desempenho”, diz.

Os funcionários da escola estadual Justino Jerry Faria, localizada no Jardim Alto Rio Preto, também atribuem o baixo desempenho à falta de interesse dos alunos. A instituição cumpriu 23% da meta para o ensino fundamental e apenas 8% para o ensino médio. “O nível da clientela realmente caiu. Estudo é o último plano de prioridade desses jovens e, infelizmente, eles terão que correr atrás do prejuízo lá na frente, quando o mercado de trabalho exigir”, diz uma funcionária que pediu para não ser identificada.

Superação

Em Rio Preto, apenas a escola Celso Abbade Mourão, localizada no bairro Solo Sagrado, atingiu a meta tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. Feliz com a superação dos alunos, a diretora Luci Arid Macedo Dela Giustina afirma que o resultado “só foi possível porque o corpo docente e os gestores da escola são comprometidos com a metodologia e o sistema de ensino diferenciado.” Além disso, Luci destaca que os alunos cumprem as regras.

Valorização

Para reverter a situação, Callegari defende maior valorização dos docentes. “O governo precisa fazer uma reforma na educação e na valorização dos profissionais. Não se melhora educação sem valorizar os professores.”, afirma. “Se aumentarem 50% dos salários, tenho certeza que o desempenho dos alunos aumentará em 50%.”

Alunos de 5º ano atingem meta

Diferentemente das escolas de ensino fundamental e médio, as quatro escolas estaduais que tiveram seus estudantes do 5º ano do ensino fundamental (antiga 4ª série) avaliados superaram as metas estipuladas no ano passado em 20%. O bom desempenho, contrastado com resultado das turmas de 9º ano, é inexplicável, segundo o especialista em educação César Callegari.

“Eu tenho visto declarações da Secretaria Estadual de Educação onde se fala em grande rotatividade de professores para tentar esclarecer o problema, que atinge todo o Estado. Mas não tem como explicar uma série ir bem e a outra não, já que todos estão sujeitos à mesma educação”, diz Callegari, que também é membro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.

A escola estadual Professora Maria de Lourdes Murad de Camargo exemplifica bem a fala do especialista. A turma do 5º ano obteve desempenho de 120% do esperado, já os estudantes do 9º ano conseguiram atingir apenas 6% da meta estipulada. Os resultados do Idesp são utilizados pelo governo do Estado também para a gratificação de professores. De acordo com o desempenho dos alunos, os funcionários das escolas são premiados com valores que, segundo a Secretaria Estadual de Educação, chegam a R$ 8 mil.