Depois
do desenvolvimento das forças produtivas, provocadas pelo feudalismo, nos séculos
XI ao XIII, a Europa enfrentou, no século XIV, duas catástrofes: de um lado a
Peste Negra, responsável pela morte de 1/3 da população européia e, de
outro, a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra, luta pelo
acesso ao trono francês, que além de muitas mortes, dificultou o abastecimento
às cidades do Norte da França.
Essas
duas crises conjugadas, levou a uma crise na oferta de mão de obra na Europa,
com menor produção, principalmente na área de metais preciosos. Como os
artigos produzidos na Europa, principalmente tecidos e produtos agrícolas, não
tinham o mesmo valor que as mercadorias orientais (especiarias) criou-se uma
crise no sistema de trocas entre o Ocidente e Oriente que afetava o comércio
externo.
Além
de especiarias, a Europa importava goma e tintas necessárias à indústria têxtil,
o que tornava mais deficitário o comércio de Flandres e Inglaterra com as
cidades mediterrânicas. Esta dificuldade aumentou com a tomada de
Constantinopla pelos turcos (1453), devido ao aumento abusivo de preços.
A
crise comercial levou a Europa a movimentar-se em busca de novas oportunidades
de comércio e de novas rotas comerciais.
Portugal,
situado no encontro com o Oceano Atlântico, lançou-se primeiro na aventura
ultramarina, devido principalmente:
a)ter um Estado Nacional centralizado, e desde 1383, a Dinastia de Avis tem o apoio da burguesia comercial;
b)ter
desenvolvido uma prática comercial com o apoio firme do Estado, criou-se ali
uma espécie de seguro marítimo, que encorajava o investimento da burguesia
internacional;
c)desenvolveu
e aproveitou novas tecnologias no campo da navegação, além de sua localização
geográfica privilegiada, a meio caminho entre as cidades mediterrânicas
italianas e os centro consumidores e produtores no Norte da Europa.
O
início da expansão ultramarina portuguesa ocorreu com a tomada de Ceuta (1415)
no Norte da África. Esta cidade, dominada pelos árabes, possuía um rico comércio
de especiarias e ouro com as cidades do Mediterrâneo.
A
Igreja Romana justificava a invasão e o saque como um meio de castigar os infiéis,
enquanto os comerciantes procuravam o domínio do comércio das cidades mediterrânicas
européias com as cidades das costas africana. No entanto, após a dominação
portuguesa, o comércio com Ceuta praticamente deixou de existir.
Prosseguindo
sua expansão, contornando as costas africanas, os portugueses dominaram as
ilhas Madeira, Açores e, em 1443 dominaram o Arquipélago de Arguin, povoado
por mouros e mestiços. Este arquipélago serviu os portugueses como uma
feitoria, para onde se dirigiam os escravos, as especiarias e o ouro que eram
“trocados” na Guiné, no Senegal, em Cabo Verde, Gâmbia e Serra Leoa. A
aventura ultramarina recolhia assim, os primeiros dividendos.
Em
1488, Bartolomeu Dias passava pelo Cabo das Tormentas, agora transformado em
Cabo da Boa Esperança e, finalmente em 1498, Vasco da Gama chegava às Índias.
Com
a nova rota atlântica para as Índias, monopolizada pelos portugueses, Lisboa
transformou-se no entreposto comercial da Europa.
Em
1492, Cristóvão Colombo, navegador genovês, navegando a serviço dos reis de
Espanha, Fernando e Isabel, chegava a América (12.10.1492). Estabelecia-se
assim, uma disputa entre as duas monarquias ibéricas, pelo domínio das terras
americanas. Com a intermediação do papa Alexandre VI, Portugal e Espanha
assinaram o Tratado de Tordesilhas (1494). Pelo tratado, Portugal ficava com as
terras descobertas a Leste de uma linha imaginária a 360 léguas de Cabo Verde,
e as terras a Oeste desta linha imaginária pertenceriam a Espanha.
Em
1500, sob o comando de Pedro Álvares Cabral, uma esquadra de treze caravelas e
1200 homens aportava em Porto Seguro (22 de abril de 1500), tomando posse das
terras brasileiras em nome de Portugal. Em 02 de maio, a esquadra portuguesa,
comandada por Cabral, zarpava em direção às Índias, em busca das especiarias
que, por quase um século, fez a riqueza portuguesa. Um outro barco, comandado
por Gaspar Lemos, dirigiu-se para Portugal, com a notícia do descobrimento.
Interpretando
o texto
1ª
Qual a situação européia, antes da expansão ultramarina?
2ª
O que tornou possível o pioneirismo português nas conquistas ultramarinas?
3ª
Explique o saque a Ceuta?
4ª Qual o plano de viagem dos portugueses? Como compara-lo ao de Colombo?
5ª Qual o objetivo das navegações portuguesas?