Trabalho de Ciências – Aves
Autores:
Mesaque Laurindo Ferreira & Moniza Maiara de Souza Ferreira
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As aves são vertebrados com penas e possuem
estruturas modificadas para o vôo e para um ativo metabolismo. Todas as aves
tiveram um ancestral comum, o qual voava. Entretanto, no caminho da evolução,
algumas aves perderam a capacidade de voar (grupo das Ratitae), como a ema.
Existem outras que preservaram algumas características bem próximas a do ancestral comum, como a cigana (Opisthocomus hoatzin), encontrada na Floresta Amazônica, cujos filhotes nascem com dois dedos nas extremidades das asas e que se atrofiam durante o crescimento.
Outras adaptações facilitam e possibilitam o vôo e a flutuação, diferenciando-as de outros animais. Estas adaptações são:
Os sentidos, com exceção do olfato, são bem
desenvolvidos. A digestão é facilitada pelo papo (onde o alimento fica
armazenado até seu amolecimento pela ingestão de água) e pela moela (onde
ocorre a trituração do alimento).
A fecundação é interna; e a fertilização se dá por atrito entre as cloacas, com exceção do pato, do marreco, do ganso, da ema e da avestruz, cujos machos possuem pênis. São ovíparas e os ovos necessitam ser chocados. Os mesmos possuem uma grande quantidade de gema, que é a fonte alimentar do embrião até seu nascimento.
As aves são
animais muito recentes na face da terra. Apesar de tudo, o seu aparecimento
remonta a 150 milhões de anos.
As aves evoluíram dos répteis embora seja bastante difícil encontrar vestígios
dessa evolução.
Um fóssil descoberto em 1861, remonta ao período Jurássico e apesar de parecer
de um réptil teria penas. Esse animal seria uma mistura de réptil e ave
(representado na figura) e foi-lhe dado o nome de Archaeopteryx. Tinha uma
cabeça semelhante à de um lagarto, com dentes (!) e na extremidade das asas
havia três dedos delgados em forma de garra. O seu corpo já era coberto de
penas.
Esses primeiro animais não seriam capazes de voar mas talvez
planar como os atuais esquilos-voadores.
Também no Jurrássico terão aparecido outros animais com algumas
características das aves, tais como bico e ossos ocos. Os pterodáctilos teriam
asas semelhantes às dos morcegos, em pele, e terão desaparecido à setenta
milhões de anos.
Há 100 milhões de anos terão existido as primeiras verdadeiras
aves. O avestruz, garças, patos, grous, mochos, galináceos existem há mais de
30 milhões de anos. Muitas aves terão desaparecido durante o período glacial
mas os sobreviventes espalharam-se pelo Mundo criando formas de adaptação aos
diferentes meios.
Atualmente, existem cerca de 8 500 espécies e desapareceram
cerca de 100 000 durante a sua evolução. As 8 500 espécies estão agrupadas em
160 famílias.
Muitas das aves ainda não conseguem voar. São aves muito pesadas e
sem quilha no esterno. É o caso do avestruz que é uma ave corredora, com dois
dedos nos pés
que mais parecem cascos. O avestruz, tal como outras ratites (nandus,
casuares,...), representam a ordem mais primitiva. o quivi talvez seja o
representante menos evoluído.
Algumas aves, apesar de terem o esterno em forma de quilha e poderosos
músculos, não conseguem voar. Estão nesta posição os pingüins que desenvolveram
a capacidade de nadar.
As espécies mais antigas continuam a ter uma forte ligação com a
água, freqüentando as costas, lagos, rios, pântanos, etc. Na floresta vivem
algumas das aves consideradas mais evoluídas como as da ordem Passeriforme
(pardais, tentilhões, etc.).
As
aves, devido à sua capacidade de adaptação, espalharam-se por todo o Mundo.
Apesar de serem descendentes dos répteis, conseguiram conquistar os ares. As
suas características morfológicas, anatômicas e biológicas estão ligadas a essa
capacidade de voar.
Para que consigam voar facilmente as aves têm que ser leves. O seu
corpo é aerodinâmico oferecendo pouca resistência ao ar favorecendo o vôo. Têm
músculos fortes.
A maioria dos ossos são ocos ou esponjosos fazendo com que as aves
sejam leves. Muitas aves são capazes de virar completamente a cabeça.
O crânio é
formado por ossos completamente soldados. Os dentes desapareceram logo no
início da evolução sendo substituídos pelo bico. O bico é um instrumento
fundamental, sendo utilizado como mão, para agarrar, como ferramenta, para
servir de martelo, pinça, tesoura, gancho, etc.
O esterno é muito desenvolvido e a sua parte central forma uma
crista saliente denominada "quilha".
As asas variam muito quer na proporção quer na forma, consoante o
tipo de ave.
Os músculos responsáveis pelos movimentos das asas são os mais
desenvolvidos. Nas fragatas os três músculos peitorais (responsáveis pelo vôo),
são 25% do peso do corpo.
As penas são
formadas por uma substância protéica denominada
"queratina". São compostas por um tubo, o cálamo, zona que está presa
à epiderme, um eixo, a ráquis, que se vai estreitando até à ponta do mesmo e o
escapo, que é a mais axial. A ráquis leva o estandarte, que é formado de cada lado
pelas barbas e pelas bárbulas, sendo estas últimas as verdadeiras unidades
anatómicas das penas.
Algumas penas, as rémiges das asas e as rectrizes da cauda têm por
função o vôo. As restantes penas protegem a ave do meio ambiente. As aves mudam
de penas todos os anos.
As aves desenvolveram vários tipos de vôo. Os abutres são capazes
de voar sem moverem as asas. Como eles os pelicanos, cegonhas e algumas aves de
rapina também são capazes de planar.
Os batimentos das asas é que sustentam e permite a progressão da
ave no ar a maior parte das vezes. A forma de vôo está intimamente ligada à
forma da asa.
As aves têm a vista e a audição muito desenvolvidos. Os olhos são de grande
importância e a sua posição varia de uma posição lateral até uma posição
frontal do crânio. Devido à posição dos olhos e à capacidade de virar a cabeça
mais de um semicírculo para cada lado, as aves têm um campo visual mais extenso
do que os mamíferos.
Os olhos são enormes, por vezes maiores do que o cérebro. Têm
grande capacidade de acomodação ocular, podendo focar rapidamente objetos.
Podem servir como telescópio e como lentes de aumento e estão concebidos para
ter o máximo de luminosidade. O olho da coruja capta uma quantidade de luz 100
vezes superior à do ser humano.
Os mochos são capazes de localizar a sua presa na obscuridade
total servindo-se da audição.
Uma das mais antigas classificações dividia a classe Aves em Galináceas, Pernaltas, Pássaros, Rapaces, Corredoras, Columbas, Trepadoras e Prensoras. Atualmente é possível encontrar classificações distintas, algumas incluem aves já extintas e fósseis outras não. Há classificações com duas subclasses a das Neórnitas e a das Arqueórnitas, outras classificações dividem as aves em Carenadas e Ratites.
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A classificação das aves não é muito simples recorrendo-se por vezes a características que não são facilmente observáveis do exterior. Para classificar as aves utilizam-se caracteres anatômicos e morfológicos que dizem respeito primordialmente à forma do bico e das patas, seguindo-se a disposição dos olhos e pormenores da plumagem. Muitos outros critérios são utilizados como a parte inferior do crânio, os tendões que acionam os dedos, forma de nidificação, grau de desenvolvimento no momento da eclosão, tipos de insetos que as parasitam ou ainda zonas biogeográficas onde as aves se distribuem.
A primeira divisão que se
pode fazer da classe baseia-se na forma do esterno embora a sua forma esteja
relacionada com o desenvolvimento das asas. Todas as aves que têm o esterno em
forma de quilha, rista central ou carena, têm as asas desenvolvidas e fazem
parte da subclasse das aves carenadas. Pelo contrário as aves que têm o
esterno liso, têm as asas atrofiadas e formam a subclasse ratites ("ratis",
barco sem quilha).
Em termos simples podemos dizer que a quase a totalidade das aves existentes
atualmente pertencem a um destes três grupos:
As carenadas dividem-se em 28 ordens, estas em famílias e por sua vez as famílias dividem-se em espécies. Assim, uma classificação completa por exemplo do corvo, fica com o seguinte aspecto:
· Reino - Animal
· Filo - Vertebrados
· Classe - Aves
· Subclasse - Neórnitas
· Superordem - Carenadas
· Ordem - Passeriformes
· Família - Corvidae
· Espécie - Corvus corax
Nem sempre é fácil compreender a classificação das aves. O número de ordens apontados em vários livros não é igual. Alguns autores consideram os Gaviformes e os Podicipediformes subordens da ordem Pigópodes. Também no nome científico de muitas aves se encontram algumas contradições.
Muitas aves são vegetarianas comendo raízes,
tubérculos, ervas, rebentos, frutos, pólen e mesmo seiva de plantas. Os
flamingos comem algas. Algumas aves são nectarívoros
(alimentam-se de néctar como o colibri), outras são frugívoras (alimentam-se de
frutos como o tucano), muitas delas são granívoras
alimentando-se de sementes. Algumas aves como a andorinha alimenta-se de
insetos que apanham em pleno vôo.
Algumas aves são "ladrões" profissionais comendo ovos de
outras aves. Também um grande número de aves de rapina se alimenta de outras
aves.
Os abutres comem carcaças de animais mortos e o quebra-ossos
alimenta-se principalmente dos restos que consegue retirar dos ossos
deixando-os cair de grande altitude.
Há ainda aves capazes de se adaptarem a vários regimes alimentares
como a gaivota e a pega. Comem praticamente tudo e é até possível vê-las a
procurar alimento nas lixeiras ou a saquear os ninhos das suas companheiras.
O ciclo de reprodução das
aves é, normalmente, anual, embora possam ocorrer várias posturas. O momento da
reprodução ocorre quando há maior quantidade de alimento que é a seguir à
Primavera. Nas Regiões equatoriais e florestas virgens não há uma época
demarcada sendo possível à reprodução ao longo de todo o ano.
Há fatores internos e externos que indicam às aves que chegou o momento da reprodução. Os principais fatores externos são o fotoperíodo (duração do dia) e o aumento da temperatura. A luz favorece o canto e provoca a maturação dos testículos.
No momento da reprodução, os machos, delimitam o seu território e defendem-no
dos seus congêneres. Esse território é importante na reprodução pois diminui a
concorrência pelo alimento, dependendo a sua dimensão da quantidade de alimento
existente. Se o alimento é escasso a área é maior. A idéia que se tem de
território leva-nos a pensar numa área mais ou menos extensa em volta do ninho.
Na verdade, existem vários tipos de territórios: sexual, de nidificação,
individual, de repouso, de alimentação, etc.
O canto representa um papel importante na defesa do território. A
intensidade e a freqüência dos cantos são maiores no principio do período de
reprodução.
Normalmente não há combates físicos, os duelos visuais e acústicos
são suficientes.
O ninho tem
como função principal à proteção dos ovos e das crias quer das condições
atmosféricas desfavoráveis quer de inimigos naturais.
O ninho evoluiu ao mesmo tempo que evoluíram as aves. As aves
começaram por depositar os ovos no solo ou sobre materiais em decomposição, tal
como os répteis. À medida que a temperatura do seu corpo se estabilizou,
deixaram de depender do calor externo para incubar os próprios ovos. Durante a
incubação há também uma maior proteção e vigilância.
As aves cujas crias nascem num estado de desenvolvimento avançado
e que abandonam muito cedo o ninho, constroem-no sem demasiados cuidados, no
solo ou em alguma plataforma rochosa. Se as crias nascem praticamente num
estado embrionário e permanecem durante muito tempo no ninho, necessitam de uma
melhor proteção. Algumas procuram cavidades naturais enquanto outras constroem
os ninhos com materiais bons isolantes térmicos. Muitas vezes procuram sítios
de difícil acesso em árvores altas ou paredes escarpadas nas rochas.
Tipos de ninhos
1 - Ninhos
elementares
2 - Ninhos escavados
3 - Ninhos sobre o solo
4 - Ninhos nas árvores
5 - Ninhos nas paredes e escarpas
6 - Ninhos coletivos
Ninhos elementares - São os ninhos típicos
dos pingüins, alguns gansos-patolas e corvos marinhos, a maioria das gaivotas,
abetardas, noitibós, etc.
Algumas aves ocupam cavidades naturais outras nem isso. Colocam os ovos
diretamente no solo em qualquer local. Podem também escavar uma pequena cova ou
amontoar pedras ou restos vegetais. Muitas vezes os próprios excrementos são
depositados no ninho, formando um ninho de excrementos.
Ninhos escavados - Estes ninhos são
escavados no solo e podem ter galerias de vários metros de extensão como é o
caso dos abelharucos e o do guarda-rios. Utilizam o bico e as patas para
escavar, normalmente um túnel reto que depois se alarga numa câmara onde
incubam os ovos.
Estes ninhos estão bastante protegidos, quer do clima quer da maior parte dos
predadores.
Ninhos sobre o solo - São muitas vezes utilizados pequenos ramos, restos vegetais, penas, etc., para construir uma plataforma onde colocam os ovos. Estes ninhos podem ser construídos em locais descobertos, como o ninho das gaivotas, mas outras são muito bem dissimulados entre a vegetação. As aves menores que fazem o seu ninho no chão, utilizam materiais como o musgo ou a lã para atapetar o interior do ninho.
Ninhos nas árvores - A grande maioria das
aves constrói o ninho nas árvores. Muitos escavam ou aproveitam cavidades
existentes nos troncos das árvores como por exemplo o pica-pau e o mocho,
respectivamente. É usual os ovos das aves que nidificam em cavidades serem
completamente brancos uma vez que não necessitam de outra camuflagem.
Os ninhos construídos nas árvores variam muito quer no tamanho quer na técnica
quer nos materiais usados na construção. Algumas aves localizam os seus ninhos
na zona mais alta das árvores.
Algumas aves, como o tentilhão, forram o exterior do ninho com líquens e outros
vegetais para que o ninho seja mais difícil de detectar.
Um dos ninhos mais curiosos é o do papa-figos que por vezes parece uma pequena
cesta pendurada na extremidade de uma ramo, numa ramificação do mesmo.
Ninhos nas paredes e escarpas - Muitas vezes estes ninhos são construídos com barro e terra como é o caso das andorinhas. A construção também pode ser de vegetais reforçada por barro.
Ninhos coletivos - As aves que constroem grandes ninhos coletivos como os republicanos da África do Sul, não existem entre nós. Mesmo assim, podemos encontrar ninhos coletivos de estorninhos, andorinhas e pardais.
Têm o corpo coberto por penas, que protegem o corpo da perda de calor e auxiliam o vôo.
A boca é um bico, sem dentes que pode variar de forma e de tamanho conforme a espécie, sendo estas adaptações ao tipo de alimentação.
Têm dois pares de membros: anteriores as asas e posteriores as pernas ou patas. As patas também são adaptadas ao tipo de ambiente em que vive a ave. Cada pé geralmente com quatro dedos, canela e dedos envolvidos por pele cornificada.
Seu esqueleto é delicado e forte, totalmente ossificado, têm ossos muito leves e às vezes são cheios de ar, ossos pneumáticos, que facilitam o vôo. O esterno é modificado em quilha, facilitando o corte do ar e fixando a musculatura peitoral.
Respiração
por pulmões compactos muito eficientes, presos às costelas e ligados aos sacos
aéreos de paredes finas que se estendem entre os órgãos internos, apresentam um órgão
especial a siringe, na base da traquéia, adaptada ao canto.
O sistema circulatório é composto de coração e vasos sangüíneos. O coração tem quatro cavidades no coração, o sangue venoso não se mistura ao sangue arterial. Persiste apenas o arco aórtico direito, glóbulos vermelhos, ovais e biconvexos.
O seu tubo digestivo é completo, composto: boca, faringe, esôfago, papo, estômago químico (proventrículo), estômago mecânico (moela), intestino, cloaca e órgãos anexos como o fígado e o pâncreas. Existe ainda a adição de sucos digestivos no proventrículo.
As aves não têm bexiga urinária, mas seu sistema urinário é composto pelos rins e ureteres, por este motivo elas não conseguem acumular a urina, que se mistura com as fezes e é eliminada pela cloaca, como uma secreção semi-sólida.
Apresentam dimorfismo sexual, isto é, o macho e a fêmea são muito diferentes.Têm sexos separados e são ovíparas. A sua fecundação é interna e ocorre no oviduto, antes da formação da casca calcária, são então eliminados pela cloaca. Seus ovos apresentam âmnio, cório, saco vitelino e alantóide e ao eclodir os filhotes são alimentados e vigiados pelos pais.
As aves têm a audição e a visão muito desenvolvidas. A visão é muito aguçada e conseguem visualizar objetos a longa distância, seus ouvidos são melhores que os dos répteis. Algumas ainda apresentam um bom olfato.
São homeotermas, isto é têm sangue quente, que se mantém com a queima dos alimentos e com auxílio das penas, que servem como isolante térmico. São chamadas de endotérmicas, pois a temperatura do corpo essencialmente é constante.
Sua pele é recoberta por penas e com glândulas, as aves aquáticas apresentam na cauda a glândula uropigiana para impermeabilizar as penas.
Seu cerebelo é bastante desenvolvido, pois este órgão está relacionado ao equilíbrio durante o vôo. São capazes de voar longas distâncias e retornar ao ponto de partida. Apresentam doze pares de nervos cranianos.
O movimento das asas durante o vôo é devido principalmente aos grandes músculos peitorais. Em cada lado do grande peitoral origina-se da parte externa da quilha do osso esterno e insere-se na cabeça do úmero.
· http://www.brazilnature.com/fauna/ave.html
· http://www.cantodasaves.hpg.ig.com.br/index.htm
· http://www.geocities.com/RainForest/Canopy/7389